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Ibovespa tem pior mês desde 2023

O investidor que testemunhou o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo acumular recorde atrás de recorde durante o primeiro trimestre deste ano provavelmente não esperava um resultado tão "tenebroso" para o Ibovespa nos últimos dois meses. O Ibovespa fechou em queda na última sexta-feira, registrando o pior desempenho mensal desde fevereiro de 2023.

Como um montanhista que chega perto do cume, mas desiste e volta a descer, o índice da B3 esteve muito perto de atingir a marca histórica de 200 mil pontos nominais na semana do dia 13 de abril, contudo, desde então, acumula sete semanas consecutivas de queda e uma desvalorização de 7,29% em dois meses.

Somente no mês de maio, o Ibovespa perdeu 7,22% em termos nominais, encerrando esse período aos 173.787 pontos. Apesar da queda forte, o principal índice da B3 ainda acumula uma alta de 7,86% por ano, resultado da performance muito acima da média nos três primeiros meses de 2026, até a metade de abril. Desde então, a bolsa vem perdendo força, ao contrário do real, que segue em trajetória de valorização ante o dólar. O movimento de queda da moeda norte-americana, no entanto, é observado não apenas no Brasil, mas em diversos países, devido ao risco maior da divisa com o conflito no Oriente Médio.

A guerra no Irã, inclusive, é um dos principais motivos para a queda da bolsa brasileira nas últimas semanas, de acordo com especialistas consultados pelo Correio. Esse movimento, no entanto, demorou um pouco para ocorrer, visto que o início do conflito ocorreu no final de fevereiro. Para o analista de investimentos Felipe Sant'Anna, o prolongamento da guerra por um tempo maior do que o que era esperado no início alterou o fluxo de recursos investidos, que antes buscavam países que não estavam ligados ao conflito, mas com o passar do tempo, voltaram para mercados com maior segurança.

"Quando veio a guerra no Irã, o mercado chegou a imaginar que em poucos dias ou semanas tudo ia se resolver. Só que não resolveu. O petróleo voou e se manteve na casa dos US$ 100, ou acima, os mercados começaram a entrar em proteção, o dinheiro começa a voltar um pouquinho para a casa e aí, quando isso acontece, a bolsa brasileira é o primeiro alvo", avalia Sant'Anna.

A guerra mais prolongada no Oriente Médio traz impactos não só para o mercado acionário, mas para toda a economia brasileira, sendo o resultado da bolsa apenas um reflexo do que os investidores percebem de outros indicadores como um todo. Sinais adversos, como uma inflação maior e uma atividade econômica mais enfraquecida, desanimam o mercado acionário no país, que sofre com a saída de recursos no Ibovespa. Nesta última semana, nem a liberação do Estreito de Ormuz pelos EUA foi capaz de trazer ânimo para os agentes de mercado.

Na avaliação da estrategista-chefe da Nomad, Paula Zogbi, a saída de capital estrangeiro do Brasil em um ritmo mais forte é um movimento condicionado por uma postura de aversão ao risco global, que levou os grandes fundos internacionais a reduzirem sua exposição a mercados emergentes. Segundo ela, esse recuo dos investidores externos foi impulsionado, também, pela resiliência da economia americana e pela sinalização de que o Federal Reserve (Fed) - o banco central dos EUA - manterá os juros elevados por mais tempo.

"Com os yields (rendimentos) das Treasuries (títulos do Tesouro norte-americano) em patamares atrativos e a inflação no atacado global pressionada pelos conflitos geopolíticos no Oriente Médio, o capital migrou para a segurança dos ativos dos Estados Unidos, deixando o Ibovespa temporariamente desprovido desse fluxo de liquidez, apesar de as ações brasileiras estarem negociadas a múltiplos relativamente descontados", comenta.
Além dos efeitos adversos da guerra, os investidores também estão de olho nas eleições presidenciais, que acontece em outubro. Segundo os analistas, a previsão é de mais volatilidade nos próximos meses e um cenário mais incerto para a bolsa. André Souza, assessor da Miura Investimentos, acredita em um período de 'altos e baixos' até o fim do ano, mesmo com o fim do conflito no Oriente Médio. "(A bolsa) Pode voltar a subir, sim, (caso a guerra termine) e vai voltar a subir. Mas aí a gente vai continuar com a volatilidade por conta da questão política, que nós estamos em um ano de eleição. Agora vai ter essa corrida, é um jogando, descobrindo uma coisa de um, outra do outro, vai sendo jogado na mídia, assim como tem sido feito", considera Souza.

Petróleo em queda

Um possível entendimento diplomático entre Estados Unidos e Irã, durante a semana passada, fez com que as cotações internacionais do petróleo encerrassem maio com perdas expressivas. No acumulado do mês, o petróleo tipo Brent — referência para o mercado internacional — registrou recuo de 17,4%, terminando a sexta-feira negociado a US$ 91,12 o barril. Já o WTI, principal indicador do mercado norte-americano, caiu 16,8% em maio e fechou o dia cotado a US$ 87,36.

Durante o pregão, o Brent chegou a ser negociado abaixo da marca de US$ 90 por barril após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizando avanços nas tratativas com o governo iraniano. O cenário reforçou a avaliação de que eventuais acordos poderiam reduzir os riscos de interrupção no fornecimento de petróleo, especialmente em rotas estratégicas para o comércio global.


A queda das cotações também repercutiu nos mercados financeiros. Na bolsa brasileira, ações ligadas ao setor de energia, incluindo os papéis da Petrobras, sofreram pressão diante da desvalorização da commodity no mercado internacional.

Fonte: correiobraziliense

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