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Copom reduz juros para 14,75% ao ano

O BC fez o primeiro corte nos juros básicos desde maio de 2024. Segundo o comunicado da reunião, ambiente externo ficou mais incerto devido aos conflitos no Oriente Médio

Em decisão unânime, o colegiado decidiu cortar a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,75% anuais. Os juros básicos estavam em 15% ao ano desde junho de 2025 — maior patamar em quase 20 anos. A medida não surpreendeu analistas do mercado que, após os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, passaram a concentrar as apostas em corte de 0,25 ponto percentual, em vez do 0,50 esperado após a reunião anterior do Copom, em janeiro.

Com essa decisão, o BC realizou o primeiro corte nos juros básicos desde maio de 2024 e ainda piorou as projeções para a inflação deste ano, passando de 3,4%, na reunião anterior, para 3,9%, na reunião encerrada ontem. Para o terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante monitorado pelo Copom, a previsão para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), aumentou de 3,2% para 3,3%, ainda acima do centro da meta de 3%.

De acordo com o comunicado do Comitê, o ambiente externo ficou mais incerto devido aos conflitos geopolíticos no Oriente Médio, com reflexos nas condições financeiras globais. "Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities", destacou. E, por conta desse cenário caracterizado por "forte aumento da incerteza", o Copom reafirmou que continuará conduzindo a política monetária com "serenidade e cautela", para "calibrar" os próximos passos do processo de flexibilização da taxa Selic.

O economista-chefe do Banco BV, Roberto Padovani, reconheceu que a decisão do Copom veio em linha com o que o mercado esperava, que era o início de um processo de afrouxamento monetário, mas cauteloso. "Essa cautela, segundo o Banco Central, tem a ver com o aumento das incertezas, principalmente em relação ao conflito no Oriente Médio. O BC ainda manteve sua comunicação de que continua dependente de dados", afirmou Padovani, que acredita ser possível um corte de mais 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Copom, e, depois de superadas as incertezas desse conflito, o ritmo de corte aumenta 0,50 ponto percentual e a taxa Selic encerrará o ano de 2026 com uma taxa nominal de juros de 12% ao ano.

Para Caio Megale, economista-chefe da XP Investimentos, o comunicado do Copom foi brando, porque não considerou nas projeções de inflação um choque relevante nos preços do barril do petróleo. Por conta disso, na visão da equipe dele, o plano de voo do Comitê contempla cortes da taxa Selic de 0,25 ponto percentual ou mais nas próximas reuniões. "O Copom parece ter atribuído importância limitada ao recente choque nos preços do petróleo (até o momento) e permaneceu confiante de que a inflação está convergindo para a meta. Assim, a 'barra' parece alta para que o Comitê deixe de cortar a taxa Selic novamente em abril", destacou ele, que prevê a taxa Selic terminando o ciclo em 12,75% ao ano, antes de uma pausa no período eleitoral em outubro.

José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos, também elogiou a decisão do BC e lembrou que, no comunicado, o Copom admitiu que o risco de uma aceleração da taxa de inflação aumentou por conta do aumento das incertezas provocadas pelos conflitos no Oriente Médio. "A decisão foi absolutamente esperada, sem nenhuma surpresa, e foi super importante para manter a credibilidade do BC", avaliou.

Frustração

Para o setor produtivo, o corte na taxa Selic, apesar de positivo, ainda é considerado abaixo do esperado após quase dois anos sem reduções nos juros básicos. É o caso da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), que reconheceu a frustração porque esperava um corte mais expressivo. "Temos indícios de arrefecimento da atividade econômica ao longo do último ano, de redução da mediana das expectativas de inflação e da desaceleração das medidas de núcleo inflacionário. Não podemos aceitar a continuidade de uma política monetária contracionista por período prolongado", disse o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, em nota da entidade.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI), também criticou o tamanho do corte e afirmou que "a redução da taxa de juros é incapaz de reverter prejuízos à economia". No comunicado, o presidente da entidade, Ricardo Alban, defendeu que o BC intensifique a magnitude dos cortes na Selic já na próxima reunião do Copom, prevista para o fim de abril. "Isso é necessário para viabilizar melhores condições de investimento às empresas, reduzir o endividamento das famílias e recolocar a economia em trajetória de crescimento. A flexibilização mais expressiva dos juros não é apenas desejável: trata-se de condição imprescindível para recuperar a produtividade nacional e o bem-estar social", disse.

Apesar de concordar que os juros seguem elevados, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), por sua vez, reconheceu que sem o pilar da responsabilidade fiscal, não será possível alcançar um patamar de juros capaz de destravar o investimento em um ano com incertezas associadas ao ciclo eleitoral.

"Sem o pilar da responsabilidade fiscal, não será possível alcançar um patamar de juros capaz de destravar o investimento e devolver à indústria o fôlego necessário para competir no cenário global", defendeu o economista-chefe da Firjan, Jonathas Goulart, em nota da entidade. Na avaliação da instituição, o início da redução dos juros, mesmo que cauteloso, "representa um alívio para a indústria, que enfrenta, além dos entraves internos, pressões adicionais sobre custos e cadeias logísticas globais decorrentes dos conflitos geopolíticos".

Fonte: correiobraziliense

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