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RH como parceiro estratégico dos negócios

Mais do que reduzir custos, é preciso investir em qualificação.

Em tempos de turbulência do cenário econômico mundial, as orientações dos economistas seguem para a redução de custos em toda a organização. Mas, e o RH (Recursos Humanos)? Como fica o capital intelectual de uma empresa? É neste momento, segundo especialistas, que este setor pode ajudar os gestores a enfrentar uma crise mundial. Mais do que cortar gastos, é preciso saber como, onde e quando investir nos profissionais. 

De acordo com Ralph Arcanjo Chelotti, presidente da ABRH (Associação Brasileira de Recursos Humanos) Nacional, o setor deve ser um facilitador no processo de ajustamento das empresas em períodos de crise. “Este é o momento para qualificação profissional e não para demissão de trabalhadores. O resgate do capital intelectual depois da crise torna-se ainda mais caro para uma organização”, aponta.

Ao invés de férias coletivas, a recomendação de Chelotti é para a capacitação técnica dos colaboradores. “A participação deve ser efetiva em toda a sociedade e cada parte pode contribuir em conjunto. O setor de recursos humanos, sindicatos, trabalhadores, governos e empresários precisam ser aliados”, diz. É essa união de esforços que deve ser pensada por todos, inclusive, nas definições atuais de jornada de trabalho e de salários e no layoff (afastamento para qualificação profissional).

A redução de custos faz parte do contexto empresarial e aparece, principalmente, em tempos de turbulência econômica. Assim, tal controle deve ser realizado de forma clara e equilibrada, afirma o presidente da associação. “Acredito que as empresas devam fazer apenas aquilo que pode ser feito, sem mesquinharia. Os micro e pequenos empresários, certamente, deverão sofrer mais neste momento”, diz ele, que também é executivo de recursos humanos de uma empresa. 

Apesar das dificuldades atuais enfrentadas pelas organizações, Chelotti reafirma que o momento é o de fazer o mínimo de cortes, mas também o de investir em qualificação técnica. “Estamos otimistas, porque algumas alternativas estão sendo pensadas nesta crise e o RH procura, de todas as formas, aproveitar estas pessoas que demoraram muito tempo para ser qualificadas. Manter empregados e investir em treinamento é o ideal”, acredita.

·    Investimentos

Alguns empresários já buscam a alternativa da qualificação profissional neste momento. Segundo Valter Pieracciani, sócio-diretor da Pieracianni Desenvolvimento de Empresas, em tempos de crise, a dica é seguir na contramão das demais organizações. “Enquanto todos cortam custos, a hora é a de investir em processos, recursos humanos e pesquisa e desenvolvimento, para conseguir chegar fortalecido quando a crise terminar. A inovação será o diferencial no futuro”, garante. Na Pieracciani, por exemplo, serão aplicados 25% a mais de horas em treinamento dos 30 colaboradores, em relação ao que foi realizado no ano passado. “Este é o momento para investimentos”.

Para ele, esta é uma crise em que há poucos recursos e, por isso, estar na contramão dos acontecimentos empresariais será fundamental para chegar fortalecido no final dela. “Ao investir em novos desenvolvimentos haverá amadurecimento ao término da turbulência”, diz Pieracciani. Tais investimentos podem ser realizados em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento), bem como no RH, pois não há inovação se não houver pessoas e tecnologias aliadas. “A união desses setores será responsável para deixar a organização ainda mais inovadora”, finaliza o empresário, que atua há 18 anos no mercado e que, atualmente, está contratando profissionais.

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