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Gestão | Administrar ou executar: qual a melhor opção?

O equilíbrio entre as duas ações vai impulsionar sua empresa. A figura clássica daquele chefe centralizador, rabugento e estúpido agora faz parte do passado. Empresas interessadas em competir no atual mercado terão que possuir profissionais diferentes deste perfil, responsáveis pelo planejamento ou execução das ações. Ambos são importantes em uma corporação, mas devem ser realizados por profissionais distintos. Porém, cabe ao gestor ficar de olho. Apesar do planejamento ser sua ênfase, é na fase da execução que os problemas, obstáculos e desafios realmente acontecem.

Uma das maiores redes de varejo do país, o Magazine Luiza, investiu nas divisões de tarefas em sua administração, transformando a pequena loja iniciada em Franca (SP) em uma corporação que possui hoje 350 unidades espalhadas pelo país. Em entrevista concedida por e-mail, a superintendente Luiza Helena Trajano Inácio Rodrigues afirma que a receita para uma boa administração é possuir uma equipe alinhada, o poder descentralizado e o foco no cliente. “Essas são características marcantes na administração do Magazine Luiza”, diz.

A passagem do famoso “bastão” muitas vezes é dificultosa para o gestor, mas deve ser realizada aos poucos para alcançar bons resultados. Para Luiza, a mudança foi gradual, já que começou como vendedora e tornou-se depois gerente para, somente em 1991, ocupar o cargo de superintendente. “Ao assumir o cargo de gerenciamento, não deixei de ser uma profissional atuante. Nunca deixei de acompanhar o trabalho, nas lojas e escritórios”, conta. Ela diz não ter encontrado dificuldades para deixar a execução e partir para o planejamento.

Diretores, analistas, pessoal da limpeza, superintendentes, gerentes, estagiários e coordenadores compartilham do mesmo espaço na empresa. Segundo ela, as paredes foram derrubadas em 1991, quando assumiu a superintendência, com o objetivo de simbolizar o fim das barreiras. “Passamos a oficializar a prática da comunicação olho-no-olho e da desburocratização da empresa”, afirma Luiza. Ela conta que, no Magazine Luiza, as informações estratégicas são transparentes e acessíveis, para que cada profissional seja responsável pelos resultados globais da empresa.

Hoje, Luiza diz que infelizmente não pode atuar nas vendas. “Mas continuo pensando como vendedora. Sempre procuro estar próxima das lojas e incentivando minha equipe, gerentes e encarregados a freqüentar as unidades e conhecer o dia-a-dia dos vendedores”, afirma. O Magazine Luiza surgiu há 50 anos, ao ser fundado por Luiza Trajano Donato, tia de Luiza, ao lado do marido Pelegrino José Donato. “A transmissão dos ideais deles para a empresa facilitou muito, por isso é importante explicar quais atitudes serão tomadas se os resultados forem alcançados, além de incentivar e elogiar. Mas, acima de tudo, acredite na força da sua equipe.” Hoje a empresa possui cerca de 10 mil colaboradores.

Para o professor Carlos Alberto Zem, administrador e especialista em marketing, é obrigação do gestor atuar nas duas esferas ao mesmo tempo. “O executar deve ser acompanhado das ações focadas na administração (planejamento, organização, direção e controle), pois, do contrário, os resultados serão negativos”, diz. Segundo ele, a concepção do administrar envolve, obrigatoriamente, todas as ações possíveis em uma administração. Na atualidade, itens como confiança, comprometimento, transparência e diálogo são combustíveis necessários para que o planejamento e a execução de cada profissional ocorra com eficiência.

Assim, o Magazine Luiza transformou-se em uma referência, ou seja, um modelo para empresas de pequeno porte que também pretendem crescer. Por isso, conforme destaca professor Zem, é imprescindível propiciar uma gestão descentralizada. Caso contrário, corre-se o risco de ocorrer uma gestão que sobrecarregue o gestor, deixando a empresa ainda mais lenta e prejudicando os funcionários que, muitas vezes, ficam impossibilitados de avançar no trabalho, por depender de uma só pessoa.

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